quinta-feira, 31 de março de 2011

vamos lá ver se me faço entender

Para cada afogado tem que haver uma mão que o possa arrancar às águas, isso é óbvio. O que podem fazer dois afogados juntos, ver quem vai primeiro com a corrente? E depois há os afogados a quem uma mão não basta, grupo em que me incluo, esse tipo de gente que está sempre com um pé na areia e outro no mar, a ver quem passa. Cada qual com o seu método.
De cada vez que me afogo grito do oceano: odeio-te. Tenho sempre esperança que alguém perceba que é a minha forma de pedir socorro. Quase nunca resulta. Por isso, depois de estar ali a esbracejar um bom bocado, grito: foste tu que me empurraste.