quinta-feira, 28 de abril de 2011

dirty projectors

yo filipe, estou a embriagar-me pela última vez na trama e, bem, estou quite happy com tudo isto, comigo mesma. saberás, por certo, que não soube não ser vaidosa e que muitas vezes andei muito satisfeita comigo mesma, talvez demasiado, tanto quanto envergonhada e insegura, mas agora é tudo mais fácil, a coisa resume-se ao seguinte: quantos, quantos saberão o que é estar a beber uns copos na sua própria livraria, a sós, num final de tarde, com esta luz, dirty projectors a tocar, o volume bem carregado, a porta ainda aberta (porque não?), e este power todo a que a nenhuma juventude escapa, fazendo parte do mundo, sem fazer parte de nada, well well well, a existir, pá, a existir tanto e tão completamente, a sós comigo mesma, a música, filipe, os copos, os livros, as caixas, os pós-dos-livros, e até os malditos peixinhos de prata, tudo aqui e tudo tanto para quem se sente, para quem toca no seu próprio braço e ainda nota: uau, aqui está um braço, que se estende e alcança, que se propõe a chegar a. gosto muito desta maluquice: porque sou daquelas pessoas que pensa demasiado e demasiado é sempre pouco - daquelas pessoas que faz antes de pensar, que pensa depois de fazer, e faz e pensa e pensa e faz, confuso? intensa, ela é muito intensa, dizia-me a sofia, depois de alguém lho ter dito a ela. sem me conhecer, o cabrão. e gosto, repito, gosto de estar aqui, mesmo quando fecho, mesmo quando ponho os livros em caixas, mesmo quando me despeço, quando me explico, quando me justifico, quando me borrifo, quando me entristeço, quando duvido. haverá sempre quem diga coisas tremendas sobre o que aqui fizemos, o melhor e o pior. haverá sempre quem descubra os defeitos, os erros, as falhas, as derrapagens. e haverá ainda quem cobre, quem aponte, quem. mais grave: haverá quem não repare, quem nunca tenha encontrado, quem nunca tenha perdido, quem não faça a mínima ideia, nem queira fazer, de que houve aqui uma livraria e que se chamou trama e que viveu. pela minha parte sobra esta satisfação de um dia, nesse leito-de-morte de que tanto se fala, poder dizer aos meus hipotéticos três filhos: vivi.