terça-feira, 11 de outubro de 2011

torel

Não fecha assim, o mar. Côncavo. De tarde deitei-me num banquinho de jardim. O espanto era a luz, sobre as pálpebras (fechadas). Férias, infância, qualquer coisa de memória. Mas era agora. Creio ter adormecido, entre tudo isso. Havia um impulso, uma queda para a escrita - embora eu soubesse que, assim que a mão se encostasse à primeira linha, silêncio. Tentei.

A escrita não recupera quase nada daquilo que, debaixo das maiores palmeiras de Lisboa, me fazia texto.

E depois esta impressão: um último reduto, eu. Se pudesse revelar-me debaixo de um véu, se pudesse andar na rua de cara tapada, se me desse ao luxo do anonimato, se adoptasse um nome falso, daria tudo, tudo eu, em texto. Porque fora de mim, fora de mim há o quê?